Sobre a situação da
música como arte na atualidade
https://youtu.be/zOPY4xDDTis?t=565
Um resumo da minha
interpretação sobre o primeiro episódio dessa série produzida pelo Brasil
Paralelo.
Sons harmônicos causam bem-estar,
enquanto sons dissonantes causam perturbação e aflição. Cada vez mais os sons
urbanos estão repletos de barulho e por sua vez, gerando cada vez mais aflição.
Faz parte da inteligência humana a
capacidade de síntese e divisão, perceber a harmonia e organização entre as
coisas que observa. A harmonia é formada a partir de uma organização de sons
matematicamente calculados. O cérebro por si só funciona a partir de estruturas
também matematicamente organizadas, logo uma boa harmonização de sons
proporciona um bom funcionamento do cérebro e consequentemente, de todo o corpo
humano. Os sons só passam a ser música, quando bem organizados, a partir de um
ato humano e consciente.
Todos concordam que há sons que soam
de forma mais agradáveis que outros. A isso chamamos de timbre. Sons transmitem
ondas no ar e as ondas transportam energia. Para isso acontecer precisam do ar.
O ar é então o substrato do som. A energia causa um profundo impacto na vida
das pessoas em todos os sentidos. A vibração dos sons é capaz de até mesmo
destruir objetos.
Quando ficamos expostos por longo
tempo há algo que se repete constantemente, passamos a ter naturalmente este
elemento como parte da nossa vida, o que altera por sua vez gradativamente,
nosso comportamento, em função deste elemento repetitivo e constante. Por
exemplo, a criança no útero da mãe, ouve repetidamente a voz da sua mãe e assim,
passa a reconhecer essa voz pelo seu timbre. Aquele timbre se repete
constantemente nos ouvidos da criança, de forma que com isso ela desenvolva
afeto pela mãe.
Sessenta por cento dos impulsos
sensoriais que chegam ao cérebro são de origem auditiva, por isso o que nos faz
se identificar com a nossa cultura é principalmente a música e nosso idioma, a
partir de uma identidade sonora, que nos identifica com uma determinada
cultura. A música vincula emocionalmente o ser humano a uma cultura.
O ser humano que busca seu
autoconhecimento, que procura compreender a si mesmo e aos outros, utiliza-se
também da música para alimentar esta busca.
O ser humano é essencialmente
emocional, e vive em constante alternância de suas emoções. A música é formada também
a partir da alternância de diversos sons. Há experimentos de apresentações de
música erudita em favelas e penitenciárias, onde as pessoas se emocionam e
dizem sentir uma sensação de harmonia e liberdade.
A música é por si só algo sagrado.
Para compor uma música é necessário estar em um determinado estado de espírito
que libere a inspiração. Segundo Beethoven "a música é o vínculo que une a
vida do espírito à vida dos sentidos".
A música é uma linguagem que
"desembrutece" o ser humano. A música contribui para a evolução da
racionalidade humana. E quando isso acontece a música se transforma em um
trabalho clássico e tende a perdurar no tempo.
O ritmo é um elemento à parte na
música. Ele trabalha com outras camadas da percepção humana. A batida do
coração da mãe é o primeiro pulso ritmado em que temos contato.
O ritmo nos conecta com a nossa
primitividade e portanto, tem maior poder de nos conduzir emocionalmente para
onde o som quiser nos levar. Nesse sentido, nosso comportamento de certa forma
é influenciado pela música que ouvimos com mais frequência. Até mesmo
involuntariamente. A mídia ao perceber esse efeito, tem se utilizado mais do ritmo
do que da própria música e harmonia, como um recurso para envolver pessoas e influenciá-las.
Por isso percebemos que as músicas atuais que estão mais em evidência, têm
menos harmonia, menos notas musicais (acordes) e tem mais ritmos em
intensidade. Há uma indústria por trás de tudo isso, visando altos lucros.
O ritmo faz mexer o corpo, a
melodia e harmonia mexem com alma. Os elementos percussivos apelam mais
imediatamente para as paixões humanas. A percepção dos ritmos é mais imediata,
enquanto que a percepção da harmonia e melodia exige um pouco mais de abstração
e maior grau de reflexão.
O ritmo é a experiência mais
tribal da música, e a harmonia é a experiência mais contemplativa. O ritmo
animado, aumenta o humor das pessoas. O ritmo proporciona prazeres momentâneos
enquanto que a harmonia proporciona reflexão, elevação espiritual. Se uma coisa
fica desvencilhada da outra (ritmo e harmonia), as próprias virtudes humanas
tendem a se desequilibrar também. O ritmo a princípio é somente a base para que
a música seja criada em cima dele.
O ser humano que consome música
somente pelo ritmo e se deixa manipular por ele, mesmo sem perceber, perde aos
poucos, sua capacidade de racionalidade. Aos poucos a pessoa vai se
desumanizando. A indústria cada vez mais investe em coisas que retirem do homem
a sua racionalidade, porque assim se tornam ainda mais manipuláveis.
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