Teoria do caos urbano....
Os mais fortes sempre se sobreporam aos mais fracos. Os mais fortes, desde os primórdios da humanidade, sempre tiveram os melhores privilégios e regalias, a melhor comida, o melhor lugar para morar e etc, sejam elas conquistadas pela força física, imposição, intimidação ou até mesmo por serem capazes de proporcionar segurança à maioria.
Assim também acontece entre muitos animais selvagens. Entre eles pode-se entender como um fenômeno natural, mas entre humanos, seres racionais, jamais deveria ser dessa forma.
No período da escravatura, os negros subjulgados e excluídos da sociedade, não tendo acesso à cultura da sociedade local, criaram sua própria cultura (adaptaram a cultura das suas origens, aos costumes dos seus chefes).
O povão dos dias atuais - frutos da própria cultura suburbana, criaram suas próprias tribos, seus mitos e lendas, suas poesias e cantos. E pelo pouco acesso ao conhecimento de qualidade e a um sistema educacional eficiente, desenvolveram uma cultura pobre em todos os seus aspectos.
[Por cultura aqui, entende-se a maneira de falar, vestir-se, comportar-se em sociedade, a maneira de agir e de estruturar pensamentos.]
Para eles, tudo se resume a coisas simples, de pouco raciocínio, - que não seja necessário muito esforço intelectual para entender, para rir, para se divertir.
Pela dificuldade de acesso ao conhecimento científico, à literatura de qualidade, a algo que propiciasse um melhor desenvolvimento intelectual, acomodaram-se numa posição de inferioridade, conformando-se com o pouco, ou se adaptaram à própria cultura suburbana, dispensando por completo a necessidade da busca por algo melhor, até por chegarem ao ponto de não julgarem ser necessário essa busca.
Na verade, só pensam em entretenimento simplório, principalmente dos que não acrescentam nada ao conhecimento intelectual.
Isso é notório em seus diálogos, falam sobre televisão, novela, programas humorísticos e de auditório... falam do lixo que lhes é "imposto" pela mídia popular, principalmente a TV.
Na maioria são mentes inferiores, talvez não pela própria culpa, mas por falta de orientação ou alguém para abrir-lhes os olhos.
Como já dizia um estadista francês "Homens de mentes pequenas falam sobre pessoas, homens de mentes medianas falam sobre eventos e homens de mentes grandes falam sobre idéias".
Do cinema se interessam mais por filmes de comédia, principalmente pelos que não sejam legendados. A maioria apresenta uma grande dificuldade na leitura dinâmica e no entendimento do que se lê (interpretação).
Às vezes até reclamam da vida, mas geralmente não procuram tomar atitudes para melhorá-la. Para eles o que mais interessa são os amigos alí e a farra dos finais de semana.
A diversão neste nível é diversão barata, é alegria passageira, não trás felicidade, não trás estabilidade, não eleva a mente, não agrega conhecimento.
Mas no fundo, a maioria deles são pessoas boas, sem receios ou discriminação, não tentam ser melhores que você, não ficam se fazendo do que não são, não se fazem de falsos amigos. Pelo menos a maioria deles.
Eles precisam saber que:
O cérebro é um músculo que precisa ser exercitado constantemente e que devemos forçar nosso entendimento sobre as coisas que vemos ou lemos. Não podemos ficar só no superficial, às margens do conhecimento. Temos que ler, aprofundar, questionar... forçar a mente de vez em quando para ajudá-la a se desenvolver. Ganhar força e crescer, e abrir os seus olhos.
Mas, muitos fogem do esforço por algo melhor, tanto físico quanto intelectual. O comodismo é o pecado da sociedade suburbana.
Eles querem o aqui e o agora, querem viver o momento, e fazer desse momento um momento alegre. As vezes até sem se importar com as consequências, sejam elas ruins ou boas.
Às vezes tenho pena, por não serem totalmente culpados pelo que são, pela situação em que se encontram culturalmente.
Às vezes os odeio, por não conseguirem enxergar ou entender idéias mais complexas ou por não apreciarem uma boa música, um bom livro ou filme, por não terem requinte nas suas preferência... enfim, ter um bom gosto em tudo.
Mas, infelizmente não se pode mudá-los "da água para o vinho". Sempre existirão pessoas assim, às margens da sociedade urbana. Sempre existirão os desfavorecidos, até mesmo por questão de sermos livres para fazermos o que bem quisermos da nossa própria vida.
Eles estão se sentindo felizes assim. Às vezes até se revoltam com alguma ou outra coisa, mas no fundo, se conformam com tudo, e assumiram que, a melhor forma de serem felizes é não se preocupando com a busca por algo melhor. Só querem se divertir com o que têm, e o resto vão "empurrando com a barriga".
Na verdade o equilíbrio da vida em sociedade está na coexistência de uma maioria subjulgada com uma minoria exploradora, que divide-se e resume-se em duas classes distintas: os ricos e pobres.