quinta-feira, abril 15, 2021

Filme A primeira arte – episódio 1/3

 

Sobre a situação da música como arte na atualidade

https://youtu.be/zOPY4xDDTis?t=565

Um resumo da minha interpretação sobre o primeiro episódio dessa série produzida pelo Brasil Paralelo.

Sons harmônicos causam bem-estar, enquanto sons dissonantes causam perturbação e aflição. Cada vez mais os sons urbanos estão repletos de barulho e por sua vez, gerando cada vez mais aflição.

Faz parte da inteligência humana a capacidade de síntese e divisão, perceber a harmonia e organização entre as coisas que observa. A harmonia é formada a partir de uma organização de sons matematicamente calculados. O cérebro por si só funciona a partir de estruturas também matematicamente organizadas, logo uma boa harmonização de sons proporciona um bom funcionamento do cérebro e consequentemente, de todo o corpo humano. Os sons só passam a ser música, quando bem organizados, a partir de um ato humano e consciente.

Todos concordam que há sons que soam de forma mais agradáveis que outros. A isso chamamos de timbre. Sons transmitem ondas no ar e as ondas transportam energia. Para isso acontecer precisam do ar. O ar é então o substrato do som. A energia causa um profundo impacto na vida das pessoas em todos os sentidos. A vibração dos sons é capaz de até mesmo destruir objetos.

Quando ficamos expostos por longo tempo há algo que se repete constantemente, passamos a ter naturalmente este elemento como parte da nossa vida, o que altera por sua vez gradativamente, nosso comportamento, em função deste elemento repetitivo e constante. Por exemplo, a criança no útero da mãe, ouve repetidamente a voz da sua mãe e assim, passa a reconhecer essa voz pelo seu timbre. Aquele timbre se repete constantemente nos ouvidos da criança, de forma que com isso ela desenvolva afeto pela mãe.

Sessenta por cento dos impulsos sensoriais que chegam ao cérebro são de origem auditiva, por isso o que nos faz se identificar com a nossa cultura é principalmente a música e nosso idioma, a partir de uma identidade sonora, que nos identifica com uma determinada cultura. A música vincula emocionalmente o ser humano a uma cultura.

O ser humano que busca seu autoconhecimento, que procura compreender a si mesmo e aos outros, utiliza-se também da música para alimentar esta busca.

O ser humano é essencialmente emocional, e vive em constante alternância de suas emoções. A música é formada também a partir da alternância de diversos sons. Há experimentos de apresentações de música erudita em favelas e penitenciárias, onde as pessoas se emocionam e dizem sentir uma sensação de harmonia e liberdade.

A música é por si só algo sagrado. Para compor uma música é necessário estar em um determinado estado de espírito que libere a inspiração. Segundo Beethoven "a música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos".

A música é uma linguagem que "desembrutece" o ser humano. A música contribui para a evolução da racionalidade humana. E quando isso acontece a música se transforma em um trabalho clássico e tende a perdurar no tempo.

O ritmo é um elemento à parte na música. Ele trabalha com outras camadas da percepção humana. A batida do coração da mãe é o primeiro pulso ritmado em que temos contato.

O ritmo nos conecta com a nossa primitividade e portanto, tem maior poder de nos conduzir emocionalmente para onde o som quiser nos levar. Nesse sentido, nosso comportamento de certa forma é influenciado pela música que ouvimos com mais frequência. Até mesmo involuntariamente. A mídia ao perceber esse efeito, tem se utilizado mais do ritmo do que da própria música e harmonia, como um recurso para envolver pessoas e influenciá-las. Por isso percebemos que as músicas atuais que estão mais em evidência, têm menos harmonia, menos notas musicais (acordes) e tem mais ritmos em intensidade. Há uma indústria por trás de tudo isso, visando altos lucros.

O ritmo faz mexer o corpo, a melodia e harmonia mexem com alma. Os elementos percussivos apelam mais imediatamente para as paixões humanas. A percepção dos ritmos é mais imediata, enquanto que a percepção da harmonia e melodia exige um pouco mais de abstração e maior grau de reflexão.

O ritmo é a experiência mais tribal da música, e a harmonia é a experiência mais contemplativa. O ritmo animado, aumenta o humor das pessoas. O ritmo proporciona prazeres momentâneos enquanto que a harmonia proporciona reflexão, elevação espiritual. Se uma coisa fica desvencilhada da outra (ritmo e harmonia), as próprias virtudes humanas tendem a se desequilibrar também. O ritmo a princípio é somente a base para que a música seja criada em cima dele.

O ser humano que consome música somente pelo ritmo e se deixa manipular por ele, mesmo sem perceber, perde aos poucos, sua capacidade de racionalidade. Aos poucos a pessoa vai se desumanizando. A indústria cada vez mais investe em coisas que retirem do homem a sua racionalidade, porque assim se tornam ainda mais manipuláveis.