sexta-feira, julho 09, 2010

O futebol tornou-se o ópio do povo

Este artigo do Cláudio R. Duarte fala exatamente sobre o que penso do futebol atualmente.


O futebol tornou-se um fenômeno exemplar de como o sistema capitalista pode
transformar qualquer coisa em fonte de lucro e legitimação ideológica de si. No plano
econômico, a chamada transição do “futebol-arte” para o “futebol-empresa”, com direito a
patrocínios milionários, conjugação com a tv, com times e jogadores comandados por
empresas e valendo como títulos especulativos na bolsa de valores, vai transformando o tempo
de ócio (ou o tempo livre que guardava algo dele) em puro negócio.

http://www.sinaldemenos.org/index.php?journal=revista&page=article&op=view&path[]=65&path[]=107

domingo, julho 04, 2010

Andar de ônibus é como entrar numa biblioteca humana

Não tenho costume em andar de ônibus, mas quando ando faço disso um momento interessante.
Ao entrar no ônibus, caminhando pelo corredor, olho para o rosto das pessoas, pessoas que não conheço, mas que passam um pouco delas, em seus traços faciais, feições, maneira de vestir e comportar-se.
É quase como entrar numa bilbioteca e caminhar pelos corredores de estantes, lendo os títulos dos livros. Pelo título chegamos a imaginar o conteúdo de cada um deles.
Depois, ao sentar-se em um dos bancos do ônibus, fico escutando um pouco das conversas que rolam. Falam da vida de outras pessoas, falam sobre como foi o dia anterior, falam dos assuntos que estão em evidência na mídia.
Pessoas que não conheço, que tem suas histórias e suas rotinas. Este momento andando de ônibus é quase como ler uma crônica de Drumond ou Nelson Rodrigues. É realmente sentir o Brasil de perto, na sua intimiade. Por este ângulo não deixa de ser um momento poético.

quinta-feira, maio 20, 2010

Uma das melhores coisas que já inventaram depois da internet foi o Celular

Quem hoje consegue viver sem um celular? - Só aquelas pessoas (uma minoria) que ainda não sabem dos diversos benefícios que ele proporciona, de forma simples e relativametne barata.
A internet revolucionou o mundo por ter possibilitado uma maior interação entre pessoas, melhor acesso a conteúdos educativos e informativos em geral. Da mesma forma a comunicação móvel, ou mais especificamente, o celular, tem propiciado estas vantagens e muitas outras para muitas pessoas. Tanto para pobres quanto para ricos, ficou muito mais fácil encontrar pessoas, ou ser encontrado.
Os homens de negócio que precisam estar em contato constante com seus fornecedores e clientes, resolveram este problema após o surgimento do celular. Por outro lado, pode se dizer que perderam um pouco dos seus momentos de sossego, estão expostos ao mercado 24 horas por dia. Mas este é outro assunto.
Ontem vi um operário da construção civil, todo sujo de cimento e areia, no seu horário de descanso de almoço, sentado sozinho em meio a sobras de material de construção, conversando e rindo ao celular, e pensei - olha só, agora ele pode conversar com sua esposa, filhos, parentes e amigos praticamente a qualquer hora, - veja o quanto isso é bom para a auto-estima!
Um outro caso são os inúmeros microempresários (até aqueles de fundo de quintal), que estão sendo bem sucedidos na vida, por conta do celular - e claro que também, da internet. Hoje as pessoas mais humildes sabem muito mais operar um celular que a internet, e tem muito mais acesso ao celular que à internet.
O celular tem contribuído significativamente para a inclusão social, para o exercício da cidadania, e consequentemente para a diminuição da distância entre a periferia e os grandes centros urbanos. Aqueles que vivem à margem da sociedade, já conseguem se sentir mais inseridos no meio, já conseguem se sentir mais como parte da sociedade, não exclusivamente por conta do celular, mas este tem contribuído muito para tal fato.
Mesmo ainda não sendo um serviço de primeira qualidade, e de preço não tão acessível assim, tanto do aparelho quanto do custo da ligação, já tem feito muita diferença para as pessoas.
Antigamente quantas pessoas perderam um emprego por falta de um telefonema, quantos homens de negócio perderam oportunidades por falta de uma simples ligação telefônica. Estes e outros casos podem ser citados.
É a tecnologia contribuindo para a evolução da humanidade, em que aos poucos as pessoas vão deixando de ser apenas mais um número, tornando-os capazes de influenciar em seu meio social.

quinta-feira, abril 22, 2010

Brasiliense, não renegue o candango (por Marcelo Torres)

Essa aqui do Marcelo Torres ficou muito boa, merece a nossa atenção.

Marcelo Torres*

O Distrito Federal possui hoje uma população estimada em 2.526.000 habitantes, sendo 1.290.000 imigrantes e 1.236.000 nascidos aqui (são estimativas do IBGE, via Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD, realizada em 2008).

Esses 52% de forasteiros se dizem e se consideram candangos, uma forma carihosa. Quando voltam aos seus estados, são chamados de candangos. "Fulano, você já virou candango mesmo".
As pessoas aqui nascidas (não todas, mas uma boa parte, talvez a maioria) adotaram o gentílico de brasiliense e passaram a negar com surpreendente veemência o adjetivo candango, às vezes parecendo que este nome as diminuem, depreciam, ofendem.

Eu não sou candango”, reage o brasiliense. “Candangos foram os operários que trabalharam na construção da cidade”. E emenda: “Quem nasce em Brasília é brasiliense. Eu nasci em Brasília, então sou brasiliense”.

Os filhos do DF (repito que não são todos) pegam um dicionário e esfregam na sua cara para mostrar o significado da palavra candango: “Indivíduo ruim, ordinário”. Imagina se eles vão querer ser associados aos “miseráveis, ruins e ordinários”!? Nunca!

Se você cair na besteira de chamar de “candanga” uma mulher daqui, você vai ver com quantos paus e pedras se faz e se fez uma Ponte JK. Chamar de “candanga” uma jovem do DF, mesmo carinhosamente, parece que é reduzi-la ao nada.

Lembremos: os termos gaúcho (RS), capixaba (ES), potiguar (RN), carioca (RJ-capital), barriga-verde (SC), soteropolitano (Salvador), canela-verde (Vila Velha-ES), grapiúna (Itabuna) estão para suas cidades e estados assim como candango está para Brasília.

Você chama uma catarinense de barriga-verde, catarina e catarinete e ela não se zanga. Chama de soteropolitana a menina de Salvador e ela até se sente feliz. Chama uma espírito-santense (nascida no Espirito Santo) de capixaba e ela gosta.

Nenhum filho de Salvador vai dizer “Eu não sou soteropolitano, sou salvadorense” (que, pela etimologia, seria o correto). Entre os nascidos no Rio Grande do Sul, ninguém dirá “Eu não sou gaúcho, sou riograndense-do-sul” (que seria o adjetivo mais “lógico”).

Em Floripa, os filhos da cidade adotaram com muito orgulho adjetivos como barriga-verde e manezinho da ilha, que podem parecer jocosos, mas são termos amáveis. Lá não se ouve ninguém dizer “Eu não sou barriga-verde (que eram pobres pescadores), eu sou catarinense”.

No Distrito Federal, porém, a moça nascida em Sobradinho não quer ser candanga. O cabra nasce na Candangolândia e renega o adjetivo de candango, como se isso fosse a pior coisa do mundo.

Alguns desses filhos do DF falam um “carioquês” forçado, mesmo sem serem cariocas. Aí você ironicamente cumprimenta-os com um “E aí, carioca”... E ele não se zanga, não rejeita, talvez pense que é elogio.

Olha só como são as coisas: você chama ironicamente um brasiliense daquilo que ele não é (carioca), mas ele quer ser, e ele não se ofende; você o chama daquilo que ele é (candango), mas ele não quer ser, então ele rejeita prontamente.

Repito: não são todos, mas é uma grande parcela, identificada nas Asas Sul e Norte, nos Lago Sul e Norte, Sudoeste, Park Way, Águas Claras.... São encontrados em bares, restaurantes, casas noturnas, baladas, faculdades, academias, clubes, churrascos, barcos, lanchas...

Antes de conhecer Brasília, antes de ter a dor e da delícia de ver o que ela é, eu via o adjetivo “candango” como típico das coisas do universo do Distrito Federal. Um adjetivo natural, poético, típico, histórico e singelo. Um gentílico que tinha tudo a ver com a história.

Aliás, praticamente todos os demais brasileiros acham que o natural do DF é chamado de candango, não vendo nisso nenhum demérito, desonra ou coisa diminutiva. Ao contrário, os brasileiros falam com um jeito super carinhoso e afável.

Aliás, um dos desejos de JK era que os filhos de Brasília se auto-intitulassem candangos, não só pela beleza e poesia da palavra, mas pela carga histórica e como homenagem. “Devemos a eles esta cidade”, dizia um grato Juscelino.

A rejeição ao termo candango é tão grande que o carnaval fora de época teve que mudar de Micarecandanga para Micarê, excluindo-se a candanga, essa coisa ruim, pobre, ordinária, indesejada.

É óbvio que nenhum brasiliense admite que isso é preconceito. Eles alegam que é uma questão de separar as coisas - “uma coisa é quem construiu, outra coisa é quem nasceu” -, o que só reforça a rejeição.

Brasília é “a corte”, a capital do país, onde todo mundo quer ser importante, todo mundo que ser ou parecer cacique, ninguém quer ser nem parecer índio (talvez para não ser queimado por outros jovens iguaizinhos aos que queimaram Galdino)
Não nos esqueçam o que disseram os assassinos do índio: "Nós não sabíamos que era um índio, pensávamos que era um mendigo". Ora, então quer dizer que se pode matar mendigo (um canndango)?
Para as classes A, B e C do DF, os primeiros 60 mil que pisaram esse solo, aqui vieram, ergueram uma cidade e, num passe de mágica, sumiram no dia 21 de abril. Foram mortos imaginariamente e aqui não deixaram nada - história, filhos, cultura, sotaque, costumes, nada...

[E tem outra coisa: pela etimologia, o termo brasiliense nem era nem para ser adjetivo de Brasília. Brasiliense era adjetivo pátrio de Brasil, referia-se às coisas do Brasil, tanto que um jornal fundado em 1808 tem até hoje o nome Correio Braziliense (brasileiros eram os comerciantes de pau-brasil - foi a Constituição de 1824 que instituiu oficialmente o gentílico brasileiro.]

Aqui, a rejeição ao candango é tão evidente que se criou até a classe social dos pioneiros. Ué, e os candangos não são pioneiros também? E os “pioneiros” não são candangos (trabalhadores)? Então, temos hoje, aqui, uma Casa dos Candangos e uma Casa dos Pioneiros.

Ao contrário das pessoas que nascem em Brasília, os cidadãos nascidos no RS, RN, ES e nas cidades de Floripa, Rio, Vila Velha e Salvador não sentem vergonha do gentílico “diferente” que possuem. Gentílicos esses provenientes de índios, pobres, pescadores, operários, peões de estância etc.
A palavra capixaba, por exemplo, significa, entre outras coisas, “roça, sítio, cangaceiro”. Mas o espírito-santense, ou seja, o cidadão nascido no Espírito Santo, adotou o gentílico capixaba, e tem muito orgulho disso. Eles poderiam adotar o espírito-santense, caso tivessem algum preconceito.

No Rio Grande do Sul é a mesma coisa, o riograndense-do-sul adora ser gaúcho, que é sinônimo de peão de estância, entre outras coisas. E olha que o termo gaúcho é “deturpado” do gauche (sem acento), típico do espanhol da região de fronteira com Uruguai e Argentina. Gaúcho está para candango da mesma forma que brasiliense está para riograndense-do-sul.

Então, a questão é esta: embora não admitam de jeito nenhum, para não parecer coisa feia, alguns brasilienses não querem ser candangos porque não querem ser pobres, miseráveis, peões. É por isso que eles se sentem diminuídos, ofendidos e ultrajados quando alguém lhes chama de candango.

Ora, meus caros e minhas caras, sejam brasilienses, mas não reneguem suas orígens, não reneguem o candango. É brasiliense, sim; mas candango também. Por que não?

Os candangos não podem ser motivo de vergonha nem desonra, muito pelo contrário, eles foram os heróis da epopéica construção desta cidade e não há porque ter vergonha deles, devemos é homenageá-los.
Renegar o candango da forma como alguns brasilienses o renegam causa uma dor no peito desse baiano aqui radicado, que já é candango de coração, inclusive tem um filho de cinco anos aqui nascido, e que por ele será chamado amavelmente, pelo resto da vida, como "meu candanguinho", um bendito fruto do amor que sente por essa cidade.

Marcelo Torres: http://marcelotorres.zip.net e marcelocronista@gmail.com .

quinta-feira, março 11, 2010

Meu entendimento sobre como começar e manter uma micro-empresa

Ao criar a sua própria empresa, saiba que é como se estivesse adotando um filho. Para ela existir e se manter viva, precisará de dinheiro (investimento). Voce precisará alimentá-la, para que possa obter bons lucros.
A idéia é a seguinte, se voce já tem algum dinheiro guardado na poupança, lhe rendendo juros mensalmente, sem voce ter que fazer nada, imagine que voce possa todo mês ir até a sua agência e sacar apenas os juros deste seu dinheiro. Seria como se voce tivesse uma renda-extra todo mês. Mas, todos nós sabemos que dinheiro guardado em caderneta de poupança não rende tanto assim, tem muitos outros investimentos que podem render muito mais.
No caso de criar uma empresa, seria como se voce pegasse este seu dinheiro da poupança e investisse numa empresa, esperando que voce possa usufruir dos rendimentos mensais que ela poderá lhe oferecer. A diferença é que neste caso, para obter os rendimentos, voce terá que trabalhar, e, dependendo do negócio, trabalhar muito.
A vantagem é que, se fizer tudo direitinho, terá mais rendimentos do que se estivesse com o dinheiro guardado na poupança. E a desvantagem é que se trata de um investimento de risco, se alguma coisa der errado voce pode chegar a perder todo o seu dinheiro. Nesse caso acharia melhor deixá-lo guardado na poupança, para ficar rendendo juros, que, mesmo sendo poucos, não correria o risco de perdê-los.
Mas se voce tem espírito empreendedor e não tem medo de correr riscos, não deixaria passar a oportunidade de montar o seu próprio negócio. Com a elaboração de um bom plano de negócios, voce terá menos chance de perder seu investimento.
As coisas funcionam mais ou menos da seguinte forma:
- Depois de todo o planejamento e, em seguida começar a executar o projeto, voce pega o seu dinheiro e compra tudo o que a empresa precisará para funcionar. Assim é que voce investe o seu dinheiro na sua empresa. A partir daí, com tudo já funcionando, começa então a entrar dinheiro. Só que este dinheiro que está entrando ainda não é seu.
No final do mês, voce junta todo o dinheiro que entrou na empresa, paga todas as contas fixas (água, luz, telefone, aluguel e etc), paga os seus fornecedores (que são as empresas que forneceram as mercadorias para voce vender), e o que sobrar disso tudo, deverá ser dividido, basicamente em duas partes: uma para a empresa e outra para você. Lembre-se que a empresa é uma pessoa também (pessoa jurídica) e portanto, precisa de dinheiro para sobreviver.
Esse dinheiro que sobrou, depois que voce pagou todas as contas, é o rendimento líquido da empresa.
Uma parte dele deve ser depositado em uma conta bancária, em nome da empresa e a outra parte é o seu salário mensal. É recomendável que voce estipule o valor que pretende receber mensalmente. Voce não pode ficar variando o seu salário mensal de acordo com o lucro da empresa. Uma empresa rende lucros diferentes a cada mês, lembrando também que tem períodos do ano que lucruam mais que outros. Portanto o correto é estipular o seu salário mensal e depositar na conta da empresa o restante do dinheiro.
No mês que não render o suficiente para pagar todas as contas e também o seu salário, voce poderá contar com este dinheiro que já está depositado.
Além do mais, durante o mês podem surgir imprevistos que necessitem, por exemplo, de dinheiro para resolver problemas ou investir em oportunidades que surgirem de uma hora para outra. Portanto é bom ter este dinheiro sempre disponível. É o dinheiro da empresa.
É esse dinheiro que vai manter a sua empresa viva por muito tempo.
Vai que surge uma promoção relâmpago de um dos seus fornecedores, voce terá que ter dinheiro disponível para comprar naquele momento, não é assim? E depois poder vender por um bom preço, ou até mesmo lhe proporcionando condições de dar descontos nas suas vendas.

Me refiro aqui a uma empresa em que ainda não se tem funcionários e nem sócios, afim de passar a idéia mais simples possível sobre o negócios. Entendendo o simples, fica mais fácil evoluir para algo mais complexo.

As coisas começam mais ou menos assim:

- Vamos supor que vc começou com R$ 5.000,00 e, no final do mês teve um retorno de 10.000,00






















DÉBIDOS CRÉDITOS
Compras de equipamentos
e materiais = R$ 3.500,00
Investimento = R$ 5.000,00
Pagamento de taxas:
R$ 1000,00
Rendimentos = R$ 10.000,00
Pagamento de fornecedores:
R$ 4.500,00

Pagamento de salário:
R$ 3000,00

Depósito: R$ 3.000,00
Total = 15.000,00 Total = 15.000,00


Note que o valor final de Débitos tem que ser igual ao valor de Crédito.

Aguardem a próxima postagem. Essa já está ficando grande demais.