Não tenho costume em andar de ônibus, mas quando ando faço disso um momento interessante.
Ao entrar no ônibus, caminhando pelo corredor, olho para o rosto das pessoas, pessoas que não conheço, mas que passam um pouco delas, em seus traços faciais, feições, maneira de vestir e comportar-se.
É quase como entrar numa bilbioteca e caminhar pelos corredores de estantes, lendo os títulos dos livros. Pelo título chegamos a imaginar o conteúdo de cada um deles.
Depois, ao sentar-se em um dos bancos do ônibus, fico escutando um pouco das conversas que rolam. Falam da vida de outras pessoas, falam sobre como foi o dia anterior, falam dos assuntos que estão em evidência na mídia.
Pessoas que não conheço, que tem suas histórias e suas rotinas. Este momento andando de ônibus é quase como ler uma crônica de Drumond ou Nelson Rodrigues. É realmente sentir o Brasil de perto, na sua intimiade. Por este ângulo não deixa de ser um momento poético.
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